O verdadeiro sucessor de bioshock chega com muita ambição e promessas de conceitos revolucionários, mas embora não consiga atingir a tudo o que se propõe, é uma aventura que merece ser experienciada pelos jogadores.
Por: Ricardo C. Esteves
EPIC
Elizabeth é “a tal”
O coração de Bioshock Infinite é indubitavelmente, Elizabeth. A jovem, que o jogador enquanto Booker Dewitt terá de resgatar da sua torre ao estilo de Rapunzel, é uma presença constante ao longo do jogo. Elizabeth interage com o cenário e outras personagens durante momentos privados de ação, com comentários sobre os mais variados tópicos. Em combate, Elizabeth ajudará o jogador entregando-lhe munições e saúde. Mais importante ainda, a jovem tem a capacidade de “trazer” vários objetos de outras dimensões que podem fazer a diferença durante os tiroteios. Tudo isto sem nunca atrapalhar o jogador, um feito raro em companheiros controlados pela IA. A sua importância na narrativa, as soberbas interpretações das atrizes (vocal e captura de movimentos) e as emoções que partilha com Booker e o jogador, vão certamente torná-la numa referência.
Argumento corajoso
A narrativa de Bioshock Infinite e sobretudo a sua conclusão surpreendente, vão
fazer correr muita tinta pelos fóruns e blogs da internet. Primeiro, porque
aborda temas como o racismo, o radicalismo americano, a religião e até
comunismo. Para mostrar as intenções das personagens e reforçar o extremismo de
qualquer um destes conceitos, Bioshock Infinite não tem medo de ser frontal e
provocador. Algumas pessoas até podem ficar algo incomodadas com alguns
comentários ou sequências, mas na nossa opinião estes momentos e tópicos estão
bem contextualizados e ajudam a dar força à narrativa. Tudo isto são temas
importantes da história, mas não é exatamente o seu verdadeiro assunto. Não
podemos revelar muito sobre este tópico sem estragar surpresas, mas o
verdadeiro sentido da narrativa e sobretudo a sequência final, vai dividir
muitos jogadores. Enquanto alguns vão achar tudo genial, outros vão
provavelmente considera-lo presunçoso e ridículo, mas ninguém deve ficar
indiferente, já que existe espaço para amplas análises, procura de metáforas e
significados subliminares.
Mundo real
O argumento de Bioshock desenrola-se em parte através de conversas entre
personagens e sequências predefinidas. O jogador é direcionado para os momentos
mais importantes e basta seguir o jogo de forma linear para perceber o foco da
história, mas fazer isso num jogo como Bioshock Infinite é quase um pecado.
Columbia, a cidade voadora onde decorre a ação, transborda ambiente e detalhe,
com impressionante direção artística e impacto visual. Os cartazes na rua, as
gravações áudio, as músicas que tocam e as conversas entre personagens
secundárias, não são ao acaso. Pelo contrário, servem para oferecer uma visão
mais profunda ao mundo superdetalhado e vivo de Columbia, enriquecendo a
experiência e a história.

FAIL
Não é revolucionário
O grande objetivo da Irrational Games com Bioshock Infinite, segundo o próprio Ken Levine, era o de elevar a narrativa nos videojogos e sobretudo a forma como os jogadores interagem com a história a um outro nível, utilizando Elizabeth como fio condutor. Na nossa opinião, isso não é conseguido. Enquanto a história e o mundo são impressionantes, e Elizabeth é uma personagem memorável, não nos parece o jogo seja revolucionário em relação à história ou à forma como a mesma é relatada. O mesmo se aplica à jogabilidade, que enquanto bastante eficaz enquanto jogo de ação na primeira pessoa, é algo antiquada e também faz pouco nesse capítulo para se destacar dos demais.
ÚLTIMAS IMPRESSÕES
Apesar de não ser uma revolução, nem na jogabilidade ou na forma como o jogador interage com a história, Bioshock Infinite é um jogo de ação na primeira pessoa de excelência. Os combates são emocionantes, existe muito para o jogador explorar e o mundo de Columbia merece ser vivido por todos. Mais, a força da narrativa, enriquecida por interpretações memoráveis dos atores e um argumento poderoso e provocador, vão perdurar na memória dos jogadores e da indústria. Um jogo para um público mais maduro que goste de ser desafiado nos seus princípios e ideias, não pela natureza do conteúdo, que não inclui sexo ou violência gratuita, mas pelo impacto das questões que levanta e pela filosofia que as suportam. Um jogo a que poucos ficarão indiferentes, adorem ou odeiem, e que por isso mesmo merece ser destacado dos demais.
Nota Final :
Muito Bom
Review feita por Ricardo C.Esteves (BGamer) se quiserem saber mais acedam a www.bgamer.pt ou comprem a edicão nº178 da revista BGamer.